Pensando no passado
Tão ao lado de ti...
Pensando no presente
Tão ausente de ti...
Lembro tanto de ti!
Sinto tanta falta de ti.
Tanta!
Te perdi
Fico aqui
Com as lembranças
Na esperança de te rever
Na eternidade
Saudade, Zenaide!
Saudade!
Pensando no passado
Tão ao lado de ti...
Pensando no presente
Tão ausente de ti...
Lembro tanto de ti!
Sinto tanta falta de ti.
Tanta!
Te perdi
Fico aqui
Com as lembranças
Na esperança de te rever
Na eternidade
Saudade, Zenaide!
Saudade!
A saudade dói
Dói demais, meu pai!
São tantas as lembranças
Mais que lembranças
Mais que memória
É história
A história dos cestos
De taquara
Que fazias pro pasto
Nas tardes de chuva
A história das vassouras
Que amarravas
Pra varrer o pátio
Nas manhãs de sábado
A história do teu canivete
No teu bolso
Afiado sempre
Pra descascar laranja
Pra gente
A história do chapéu de palha
Amassado sempre
Ao carregar o cesto
Cheio de milho
A história da satisfação
Ao trazer melancia
Que servias a toda a família
À sombra do cinamomo
A história do choro fácil
Dos olhos molhados
Choro de emoção
Puro coração...
Choro eu agora
Chora a saudade
Chora a lembrança
Chora a memória
Chora a nossa história.
Saudade de ti, mãe!
Saudade do que dizias
Saudade do que fazias
Quando vinhas do teu jeito
Quando ias do teu jeito
(muito o meu jeito)
Saudade de ti, mãe
Dos teus dedos
Calejados da enxada
Que puxavas de dia
Mas hábeis na agulha
Que fiavas de noite
Saudade da bolacha pintada
Nos dias de Natal
Saudade da cuca recheada
Sempre igual
Assada no forno à lenha
Cuja lenha tínhamos que buscar
E buscávamos sem reclamar
Saudade do mate doce
Que era como se fosse
Um ritual de iniciação
Pra fazer parte
Da roda de chimarrão
Saudade
Da roda de chimarrão
Em volta do fogão à lenha
Saudade, mãe..
Se
o
chi
mar
rão
não
existisse, eu o inventaria
como seriam minhas manhãs
sem a manha da cuia
no banho da pia
como seria
iniciar o meu dia
sem o dengo da bomba
querendo a mão envolvente
banhando-a na água quente
como eu poderia ter energia
sem sorver de mansinho
golinho por golinho
água esquentando
virando mate
arte
E o meu arremate:
Como faria poesia
Sem que o amargo do chimarrão
Entrasse em sintonia
Com o mais doce de mim
A vida
Me ensina mais
Mais ainda
Que jamais pensei
Pensei em menos
Em amenos ensinos
Pequenos
Mas...
(ao menos tem um mas...)
Não quero aprender
Não quero saber
Eu quero mais
Eu quero viver!
Ahhhhhh, se não fosse o amor
Seria uma melancolia...
Aliás, não seria nada!
Teríamos nada mais
Nada menos
Que mais ou menos
Momentos amenos
Pequenos
Ahhhhh, se não fosse o amor
Seria uma monotonia...
Aliás, não seria nada!
Teríamos nada mais
Nada menos
Que menos sentido
Menos tudo
Menos
Queremos mais
Muito mais
Queremos amor
Temos amor
Fazemos amor...
Ahhh, se não fosse o amor...
Que meus dias concebem
Pois percebem
Que sem poesia
Viram noites de frio
Sem cio
Nem pavio
Pra acender o dia
Eu faço a minha poesia
Nos dias de sol
Mas também
Nas noites de chuva
Porque eu sonho
Novos dias
Renovos ...
Te desafio
A sonhar comigo
Na minha poesia
Palavra
Que fala
Mesmo quando
De vez em quando
Ela cala
Mas fala sentindo
Intuindo
Indo e vindo
De palavra em palavra
De silêncio em silêncio
De olhar em olhar
No palavrear....
Palavra dita
Bem dita
Bendita!
Vejo
Só o que desejo
Só vi em ti
O pior de ti
O bom em ti
Nem vi
Nem percebi
Só vi em mim
O melhor em mim
O ruim em mim
Nem vi
Nem percebi
Só vimos em vocês
O pior em vocês
O melhor em vocês
Nem vimos
Nem percebemos
Urge
Ver isso
Perceber isso
Porque surge
Um ser humano
Não mais humano
Desumano
Insano.
Alerta, ser humano!
Desperta!
Sonho só
Só mesmo
O mesmo sonho
Tristonho sonho até
Até que o sonho
Se canse de sonhar?
Não passa o sonho
Que sonha realidades
Impossíveis
Inatingíveis
Irrealizáveis
Sonháveis só
Que dó!
Sonho só!